Flores Silvestres, Responsáveis Pelos Cenários Bucólicos Do Nosso Imaginário
Elas embelezam as estradas por onde passamos na Primavera e Verão, são um espetáculo efêmero que chama à atenção das máquina fotográficas mais atentas e por vezes agrupam-se em extensões a perder de vista.
Por esta altura muitos certamente já repararam nas flores silvestres. São ditas selvagens ou silvestres porque aparecem nos campos a maior parte das vezes sem terem sido plantadas. São elas as verdadeiras representantes dos cenários bucólicos repetidos na pintura e no nosso imaginário.
Quando a agricultura era menos intensa era possível vermos uma grande variedade destas flores e elas são importantes, aumentando a biodiversidade nas áreas agrícolas.
Muitas destas plantas são anuais, ficando o seu ciclo completo ao fim de um ano, em que dão flor, semente e desaparecem.
A flor é a parte mais visível mas o ciclo de vida começa com a semente, dando mais tarde flor e depois o fruto libertando sementes que recomeçam este ciclo.
Queremos apresentar-vos algumas destas plantas:
Papaver rhoeas – a famosa papoila
O vermelho das suas flores delicadas, que criam um contraste vivo nos campos e bermas das estradas chamam-nos à atenção.
As papoilas ocorrem em searas, pousios, pastagens, prados, montados, olivais e por vezes em bermas de caminhos, baldios e entulhos. Gostam de um solo algo nitrificado, e aparecem frequentemente associadas ao pastoreio extensivo de ovinos. O uso de herbicidas nas culturas de cereais faz com que seja cada vez mais raro ver papoilas.
Borago officinalis – borragem
Com uma flor lilás a borragem é uma herbácea anual que ocorre em prados, terrenos incultos, pousios e bermas de caminhos. Tendo preferência por solos de natureza calcária.
Oxalis pes-caprae – trevo-azedo
O famoso trevo-azedo floresce entre janeiro e abril. É uma espécie infestante de campos agrícolas cultivados ou incultos, pomares, bermas de caminhos, baldios urbanos, taludes, dunas, arribas e pinhais litorais ruderalizados. Está mesmo presente no decreto de lei como espécie invasora.
Lamium maculatum – coelhos, chupa-pitos
Espécie presente sobretudo no Norte e Centro do país esta espécie aparece em prados nas margens de cursos de água, frequentemente sob coberto de bosques ripícolas ou carvalhais. Em locais húmidos e sombrios, frequentemente perturbados.
Verbascum pulverulentum
Este bonito verbasco, chegando a atingir dois metros de altura possui flores amarelas e costuma estar presente sobretudo no centro de Portugal, onde ocorre em pastagens, prados secos, campos incultos, orlas de campos agrícolas, aterros e bermas de caminhos. Em sítios secos, algo compactados, abertos e com elevada exposição solar.
Cichorium intybus – chicória
A chicória é uma erva bianual com uma belíssima flor violeta. É uma planta muito utilizada na culinária em saladas por exemplo. Aparece em baldios urbanos, bermas de caminhos e campos agrícolas cultivados ou incultos.
Achillea millefolium
Frequentemente encontrada em prados húmidos, campos agrícolas abandonados e margens de linhas de água, esta planta gosta de locais húmidos e sombrios. As suas delicadas flores brancas são muito aromáticas.
Cynara humilis – alcachofra brava
Um bonito cardo que ocorre em sítios secos, pousios e pastagens, tem propriedades coagulantes sendo que algumas espécies de Cynara são utilizadas para fazer queijo.
Briza media – chocalheira intermédia
Uma espécie que ocorre em lameiros e prados, em solos algo húmidos.
Digitalis purpurea – dedaleira
Ocorre em afloramentos rochosos abrigados, taludes revestidos por ervas, orlas e clareiras de bosques ou matagais, por vezes em bermas e sebes. Em sítios húmidos, frescos ou sombrios.
Taraxacum officinale – dente de leão
Mais uma planta famosa, conhecida por dente-de-leão. Folhosa perene de porte baixo e com flores amarelas. Apesar de ter sido alimento importante na idade média, esta planta é hoje considerada invasora em pastagens, gramados e jardins.
Amália Souto Miranda
Arquitecta Paisagista
