A família real, o verão e a exuberância das palmeiras... - SAGIPER
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A família real, o verão e a exuberância das palmeiras…

A família real, o verão e a exuberância das palmeiras…

Elegantes, vigorosas, dotadas de formas geométricas que nos intrigam e surpreendem…
Com uma silhueta que nos transporta para ambientes mais quentes e uma vida descontraída e colorida, as palmeiras fazem parte do nosso imaginário e mesmo do nosso dia-a-dia, mas sabia que foi graças a um casamento real português que se criou a primeira grande publicação sobre palmeiras?
Foi na sequência do casamento de D. Leopoldina da Áustria com D. Pedro de Alcântara, que foi enviada para o Brasil uma equipa de cientistas entre os quais Carl Friedrich Philipp von Martius que viria a criar uma das primeiras e mais notáveis publicações sobre palmeiras contendo também inúmeras ilustrações: Historia naturalis palmarum.


Hoje em dia são conhecidas mais de 2500 espécies de palmeiras o que nos dá uma ideia da complexidade taxonómica desta família.

Seleccionamos algumas para o inspirar ou simplesmente para ficar a conhecer estas plantas que tanto nos lembram o verão e as férias…

Uma das palmeiras mais abundantes nas cidades portuguesas é a Phoenix canariensis, a palmeira-das-canárias, que foi muito utilizada nos anos 50 como símbolo de destinos exóticos e que anteriormente já se encontrava em quintas como símbolo de riqueza colonial. Atualmente esta espécie está a morrer devido ao ataque pelo escaravelho-vermelho (Rhynchophorus ferrugineus ), um gorgulho, originário da Ásia Tropical, que tem vindo a dizimar as palmeiras no nosso país transformando a imagem de vários locais de norte a sul.

A palmeira-de-leque-do-méxico (Washingtonia robusta) – Uma palmeira abundante no México e na Califórnia que pode crescer até 20- 25 metros de altura. São desta espécie as sete palmeiras emblemáticas que encontramos alinhadas no palácio de Cristal na cidade do Porto.

Do mesmo género a palmeira-de-saia-da-califórnia (Washingtonia filífera), é juntamente com Phoenix canariensis e Phoenix dactylifera uma das palmeiras mais utilizadas nos jardins em climas mediterrâneos já que apresenta relativa resistência ao frio.

A tamareira (Phoenix dactylifera) é muito cultivada pelos seus frutos, as tâmaras. Esta palmeira é também frequentemente utilizada como ornamental nas cidades. É oriunda da antiga Mesopotâmia, onde é cultivada desde há mais de 5000 anos. As regiões ideais para o seu cultivo são situadas a sul e a oriente do Mediterrâneo.

A palmeira portuguesa

Conhecida por palmeira-das-vassouras a espécie Chamaerops humilis é a única palmeira autóctone em Portugal e mesmo na Europa continental.
É uma palmeira baixa, crescendo até aos 4-5 metro, com troco multicaule. É muito frequente a sul em jardins e praças ou em canteiros.

Outras palmeiras interessantes pelo seu aspecto e cores ou outras características:

Cyrtostachys renda – Uma palmeira que chama à atenção pela cor vermelho-vivo dos seus pecíolos e pela forma das suas folhas.

Bismarkia nobilis – Uma palmeira de Madagáscar interessante pela sua folhagem densa em leque de tons cinza-azulados

Existem algumas espécies que se assemelham às palmeiras e que vulgarmente são denominadas como tal, mas que sob o ponto de vista taxonómico não são do grupo das palmeiras sendo então falsas palmeiras.

Como é o caso da árvore-do-viajante (Ravenala madagascariensis), que pertence à família da estrelícia (Strelitzia reginae ), herbácea muito utilizada em jardins. A árvore do viajante é endémica de Madagáscar, o que explica o seu restritivo específico madagascariensis. Esta espécie tornou-se um símbolo da ilha, presente até no logótipo da companhia aérea. Com uma silhueta absolutamente surpreendente esta planta tem grandes folhas semelhantes às da bananeira, que são sustentadas por longos pecíolos dispostos em leque, entre os quais a planta acumula água, que serve para matar a sede dos viajantes, e daí vem o seu nome comum.

Cordyline australis – Conhecida por todos nós a fiteira é também uma falsa palmeira, trata-se de uma planta muito presente em parques e jardins e bastante cultivada em vaso. É uma árvore endémica da Nova Zelândia , uma das espécies com maior capacidade de se recuperar na sequência do fogo. Em alguns locais de Portugal é plantada junto às vinhas pois as “fitas” das suas folhas servem para amarrar as vinhas.

Cycas revoluta – Conhecida vulgarmente por cica ou falsa-palmeira é também frequentemente cultivada em parque e jardins. É uma planta de crescimento muito lento e não ultrapassa os 1-2 m de altura, é considerada um “fóssil vivo”, porque as suas características mantêm-se praticamente inalteradas desde a sua origem no início da era Mesozoica (200 milhões de anos).

Amália Souto de Miranda
Arquitecta Paisagista

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