Vamos ao parque infantil? Mas qual?
Nas nossas cidades vemos alguns parques infantis com cores vibrantes, mas cada vez mais parecidos e para trás vão deixando alguns dos elementos de que as crianças sempre gostaram e que as estimulam…
Brincar desenvolve as crianças a nível emocional, físico, social e cognitivo. Os espaços nas escolas ou na cidade são bastante importantes para o bem-estar dos mais pequenos…
Mas que tipo de parques infantis temos nas nossas cidades? Estarão eles a cumprir a sua missão?
Numa situação dita ideal, as crianças não deveriam estar confinadas a uma área restrita para poderem brincar e conviver com outras crianças., Desse modo, os parques infantis seriam até desnecessários numa sociedade que aceita crianças em todo o lado.
Mas, no mundo em que vivemos e sobretudo nas cidades, estamos cada vez mais longe desse cenário idílico.
Os parques infantis não deveriam ser máquinas de brincar ou pequenas ‘jaulas’ para ocupar a criança durante algum tempo.
Um bom parque infantil deve ter uma atmosfera convidativa, ter água se possível e permitir o contacto com a natureza.
Havendo cada vez menos espaços ‘selvagens’ nas cidades os parques infantis acabam por desempenhar um papel bastante importante nos primeiros contactos da criança com a natureza.
Devem ser espaços que permitam a exploração, não revelando tudo ao primeiro instante e devem ser inclusivos, adaptados a todo o tipo de crianças estimulando a brincadeira a nível físico, social e sensorial.
E porque, para que as crianças aproveitem ao máximo o parque ou sequer o frequentem é preciso que os adultos que as acompanham se sintam também confortáveis, o conforto destes últimos deve ser tido em consideração.
Os parques infantis hoje em dia deixam cada vez menos espaço para a aventura, por vezes talvez fosse importante um pouco mais de ‘risco’ para que a criança possa aprender e tomar decisões em relação ao perigo. Ainda que vigiados pelos adultos.
Alguns elementos que conhecemos bem são sempre uma óptima opção para um parque infantil, mas têm vindo a ser cada vez menos integrados nos respectivos parques:
– Baloiços – constituem uma actividade básica, que estimula a criança a diversos níveis nomeadamente capacidades motoras, de equilíbrio e coordenação. Para alem disso é uma atividade intergeracional
– Elementos para trepar-ótimos para as crianças terem noção do corpo e tomarem decisões prevendo o que vai acontecer
– Brincar de cabeça para o ar é também ótimo para desenvolver capacidades motoras
– Brincadeiras livres como jogos organizados de esconderijos, macaca ou outros que ensinam as crianças a comunicarem entre si e a socializarem.
– jogos com bola, são ótimos para aprender a manipular a bola e procurar estratégias, desenvolvendo o pensamento critico e a capacidade de resolução de problemas…
Felizmente, um pouco por todo o mundo começam a aparecer espaços originais e agradáveis, que fogem ao estereótipo que vemos na maior parte das cidades.
De facto é possível ser original e proporcionar estímulos diversos para as crianças, comprove-o nas imagens abaixo:
Em Portugal:
Parque da BD – Turma da Mônica/Maurício de Sousa em Lisboa
Um parque inclusivo, dedicado a todas as crianças.
Parque de Lazer do Castelinho, em V. Nova de Cerveira
No estrangeiro:
Parque Hetsch em Genebra
Um parque grande dedicado às crianças, com baloiços, diversas estruturas para trepar, correr, saltar, um grande relvado (trata-se de um antigo estádio de futebol) e ainda uma fonte com repuxos…
Blatterwiese em Zurique
Imensas opções de baloiços, trepar, areia, brincar com água e ainda chaises longues para os adultos…
Parque Blandan em Lyon
Teardrop Park em Manhattan
O importante mesmo é brincar!
Amália Souto de Miranda
Arquitecta Paisagista
