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A água na cidade

A água na cidade

O calor de verão começa a fazer-se sentir e um elemento de água pode estar associado a uma melhoria de qualidade de vida num jardim… E o mesmo é verdade no espaço público de uma cidade.

Pelas suas propriedades de reflexão, por transmitir movimento, som, descontração ou até adicionar uma dose de mistérios ao espaço, a água pode ser fulcral para a vida de um espaço público, divertindo os mais novos e refrescando os mais velhos.

Das mais simples e funcionais às mais extravagantes encontramos em algumas cidades uma grande diversidade de fontes, tanques e outros elementos de água.

Deixamos-lhe com alguns exemplos:

Fontes:

Berna, a capital da Suíça, tem mais de 100 fontes, mas a que mais tem atraído miúdos e graúdos é a da praça do parlamento. Com os seus altos jatos de água alternados esta fonte tornou-se uma grande atracção, criando uma atmosfera vibrante no centro de Berna.
São 26 jatos de água, que representam os 26 cantões da confederação helvética.

Em Portugal uma fonte bem conhecida é a monumental fonte luminosa, em Lisboa. Um elemento com bastante imponência, que representa uma época sendo assim um elemento do nosso património.
A fonte foi construída para celebrar o abastecimento regular de água à zona oriental da cidade.
Inaugurada em 1948 esta fonte tem um valor simbólico e um papel no desenho do espaço urbano, sendo uma fonte decorativa, que transmite boa energia, e não permitindo no entanto interacção directa.

Espelhos de água:

Em Lisboa, no espaço espelho de água, perto do padrão dos descobrimentos encontra-se um impressionante espelho de água como o próprio nome indica. Este cria uma interessante ligação visual com o rio.

Ainda em Lisboa, podemos considerar o chamado lago do jardim Amália Rodrigues um espelho de água. Um elemento de água redondo, com pouca profundidade. É um dos principais elementos deste parque e está acompanhado de uma agradável esplanada chamada linha d’água.

Lagos:

A norte do país, os lagos do parque da cidade do Porto são uma referência. Habilmente dispostos, integram todo o sistema do parque e permitem uma eficaz recuperação/ acumulação da água, drenada dos vários espaços do parque.
Passeando pelo parque não há quem fique indiferente à água, também as aves adoram.. Foram até feitas listas de espécies associadas a estes lagos.

Num país com um clima como o nosso as preocupações com o desperdício e a disponibilidade de água estão na ordem do dia. Gastar menos água é cada vez mais uma preocupação dos municípios.

Num cenário destes soluções interessantes passam pela criação de fontes em circuito fechado e não ligadas ao sistema de abastecimento.

A retenção de água no solo e em charcos drenantes para posterior acumulação em lagos através da modelação do terreno, é um princípio interessante e com muitas vantagens.

Amália Souto de Miranda
Arquitecta Paisagista

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