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A planta dos jardins históricos: pragas, doenças e cuidados

A planta dos jardins históricos: pragas, doenças e cuidados

Há uma planta presente na maioria dos jardins históricos que conhecemos, e não só. A maioria das pessoas já conhece bem o buxo, mas ultimamente deve ter reparado que esta espécie tem trazido alguns desafios à manutenção destes jardins, o que se passa afinal?

O buxo, género Buxus, é um arbusto de folha persistente, natural do centro da Europa, África, Ásia Oriental, Antilhas e América Central.

Os gauleses consideravam-no um símbolo de eternidade. Esta planta era e é um símbolo funerário e de imortalidade, permanecendo sempre verde. Por ter uma madeira dura e compacta, o buxo pode também simbolizar firmeza e perseverança; os ingleses chamam-lhe ‘árvore de caixa’ porque utilizam a sua madeira para o fabrico de caixas para objetos preciosos. Também em Portugal esta madeira é utilizada e o buxo associado a algumas tradições.

Sendo uma das mais antigas plantas ornamentais, o buxo é utilizado em jardins privados e grandes jardins formais, o seu uso é frequentemente associado à topiária: uma técnica de jardinagem cujo objetivo é dar formas esculturais às plantas.

Presente no nosso imaginário de jardins históricos do barroco francês e do renascimento Italiano, o buxo tem sofrido nos últimos anos com várias pragas e doenças que aqui apresentamos. Estes problemas têm transformado alguns dos nossos mais preciosos jardins históricos e colocado inúmeros desafios à sua manutenção e continuidade.

Neste tipo de jardins, as sebes de buxo marcam os espaços, sendo dominantes e constituindo uma parte importante e definidora da imagem do jardim e do património que representa.

De norte a sul de Portugal encontramos jardins de buxo, ou com buxo nas suas sebes e orlas. Alguns exemplos são:

O Jardim botânico da Ajuda, o jardim do Palácio Marqueses de Fronteira, o Jardim botânico de Coimbra, o Jardim botânico do Porto, e até, num estilo bem diferente, o jardim Gulbenkian.

Em relação aos cuidados a ter, os buxos não são plantas muito exigentes, os Invernos poderão ter maior impacto devido ao vento e frio, pelo que no final do Inverno é uma boa altura para cortar ramos mal formados. O transplante deve fazer-se no início da Primavera, antes que a secura do Verão coloque a planta em stress. Poderá haver necessidade de aplicar fertilizantes.

O buxo é atacado por vários insetos e pragas, que também atacam outras plantas tal como as psilas e as cochonilhas, mas o que tem sido realmente devastador para esta espécie são os fungos, nomeadamente o ‘míldio do buxo’ Calonectria pseudonaviculata, um parasita que se alimenta da seiva da planta.

Esta espécie é de facto uma das maiores ameaças à utilização do buxo e pode levar à perda completa de importantes populações.

Alguns sintomas iniciais são manchas avermelhadas nas folhas, que evoluem e acabam por levar à queda da folha; sintomas mais avançados são cancros e ramos sem folhas. Os sintomas podem evoluir muito rapidamente, destruindo sebes no espaço de uma semana.

É por isso importante monitorizar para que a doença não passe despercebida. Deve ter-se cuidado com as ferramentas, proceder à sua desinfecção e ter muita atenção na aquisição de plantas para não adquirir plantas já infetadas que possam contaminar a vegetação do jardim. Deve ainda remover-se as plantas mortas ou doentes e evitar o excesso de água.

Sendo este um problema presente em vários países afetando já quase toda a Europa, vários fungicidas têm sido testados mas não existe ainda nenhum homologado em Portugal.

Outra praga de maior importância que tem atacado os buxos é a traça Cydaline perspectalis, originária da Ásia ocidental. Esta coloca os seus ovos na página inferior do buxo, e pode também levar à destruição de populações inteiras. Para controlar existem inimigos naturais que podem destruir a praga, e até inseticidas de natureza biológica.

Estes problemas têm uma grande dimensão geográfica e têm sido alvo de muitas investigações, na próxima vez que visitar um jardim histórico irá certamente olhar de outra forma para as sebes de buxo.

Amália Souto de Miranda 

Arquiteta Paisagista 

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